- 13|02|2009 O lado negro da profissão Webdesigner
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Atenção: Este artigo foi originalmente escrito por mim no fórum Webly.
Poderá conter referências ao fórum.Provavelmente a grande maioria dos que lerão esse “post” são Webdesigners, os que não são tem algum envolvimento, portanto “me sinto em casa” para debater algumas coisas que dificultam tanto essa profissão.

Reconhecimento Profissional
Pra começar Webdesigner já abordo a, talvez, maior pedra no sapato de qualquer webdesigner. O reconhecimento da profissão.
Ser Webdesigner significa não ser reconhecido pelo seu esforço. Na pratica a profissão nem mesmo existe, 99% do mundo não entende o que você faz. Quero dizer, somos invisíveis. Todo mundo sabe o que é um mecânico, um sapateiro, um encanador. Afinal, oque você faz com seu carro quando quebra? Mas alguém já tentou experimentar perguntar pra alguem na rua quem é que faz um website?Obviamente que em países em desenvolvimento como o nosso será bem provável encontrar várias pessoas que nem sabem o que é website ou internet, quem dera saber o nome do profissional responsável por tal. Mas o problema é um pouco mais critico.
O não reconhecimento não é lá um grande problema quando pensamos que a maioria dos profissionais de informática também não tem lá um grande reconhecimento, que não são muito unidos e pouco sindicalizados. Mas se pararmos pra pensar e comparar o que é o SINDPD perto do Sindicato dos Metalúrgicos? Não quero comparar profissionais, mas visto que a informática está presente em todos os lugares pergunto, porque somos tão fracos e desunidos?
O que sou?
Voltando a micro-grupo Webdesign podemos avaliar que quase todos nós somos meio-programadores e meio-design-gráficos. É raro aquele que tem a oportunidade de trabalhar realizando apenas uma das atividades que a profissão exige. E mesmo assim para se chegar a isso é evidente já ter necessitado dos “conhecimentos meio-a-meio”.Vindo desse problema encontramos parceiros de trabalho vindos de todos os lados. Uns de processamento de dados, outros de design e até de propaganda e marketing, fazendo com que nossa classe seja uma grande sala de profissionais de formação e inclinações diferentes. Isso sem contar os sem formação. Então, qual a nossa identidade?
É mesmo uma profissão?
Um dos nossos grandes problemas são os “bicos”. Gente pegando esse trabalho como “bico”, renda extra ou uma oportunidade de fazer uma graninha fácil. Muita gente entrou por essa porta, eu sei, mas isso de certa forma atrapalha. Desvaloriza a profissão e o tipo de trabalho, faz com que o seu cliente, que está lá fora procurando alguem para um trabalho que ele nem ao menos consegue entender, acabe caindo em mãos despreparadas e formando assim um conceito errôneo sobre a profissão em geral.O que estou tentando dizer é que estamos em um território cheio de péssimos profissionais cujo as atitudes acabam atrapalhando aqueles que querem trabalho serio, que estudaram para estar onde estão, que encaram o trabalho como profissão e não uma “graninha que ta pitando ai”.
Pode parecer exagerado, mas trabalhando oficialmente com web a 4 anos ainda me dói ver o dono de uma pequena ou média empresa se recusando a pagar dois mil reais (o que é pouco) por um loja virtual, ou qualquer outro sistema complexo, apenas porque o vizinho da tia de um dos empregados faz por duzentos e cinqüenta reais.
Mas onde está o problema?
O grande problema nisso tudo é que estamos lidando cada vez com situações mais complexas e que lhe exigem grande responsabilidade. A pedida por lojas virtuais e sistemas de gerência entre outros é cada vez maior. E esse tipo de trabalho deve ser feito por profissionais e não “desbravadores”.Cada vez mais empresas (e também profissionais que preferem trabalhar por conta própria) estão se empenhando em adquirir conhecimento, desenvolver ferramentas, aprender e rever conceitos de segurança… Em resumo, fazer trabalho PROFISSIONAL.
Mas o cliente não vê, não quer ver e mesmo se vir não tem preparação suficiente para compreender. Assim os “vizinhos da tia de um funcionário” continuam recebendo trabalho cujo não estão preparados para desempenhar. O que evidentemente vai resultar num trabalho mal feito e em mais um cliente descontente com o sonho de “aparecer no mundo virtual”.
Isso é sério, em quatro anos, só recentemente começaram a aparecer clientes (que pegaram o caminho errado) capazes de compreender que ele estava errado em contratar o mais barato. A grande maioria ainda prefere culpar a tecnologia, o mundo virtual por vender um falso sonho, ou até mais extremos ao alegar que a “raça da informática” é farinha do mesmo saco.
Pra alguns é absurdo pensar nisso, mas isso existe e eu vejo muito. Não sei se é por estar em uma cidade do interior, onde a tecnologia chega rápido mas o conhecimento leva anos, mas isso é um problema que me aflige muito. Não basta ser honesto e fazer um trabalho de qualidade, tenho que combater o erro de outros. Tenho que vender algo pra um cliente que tem medo do produto. Tenho que dar garantias absurdas pois o cliente fica indeciso se me julga como um trabalhador comum ou um assaltante.
Mas não sejamos hipócritas…
Muitos de nós começamos assim. Aceitando trabalhos e correndo atrás para aprender, terceirizando, ou largando na mão dos funcionários. Mas quem entra nesse mundo e se especializa, luta para entregar um trabalho decente, merece ficar na profissão.Outra grande verdade é que muitas vezes tentamos vender o “sonho do mundo virtual” para pessoas/empresas que não precisam. E se essa pessoa já tiver sido abordada por um mal profissional anteriormente é bem lógico que te julgue como apenas mais um.
Concluindo.
O mundo é uma droga, a profissão é ingrata, vamos deixa-la já! NÃO!! Não é isso que estou tentando dizer. Mas tem uma máxima que tento seguir e que gostaria que se espalhasse ao menos entre os companheiros de trabalho. FAÇA SUA PARTE!Não pare de estudar, não faça trabalhos mediócres, honre a classe. Sei que parece discurso de filme épico mas é o caminho. Temos de dar mais credibilidade a profissão Webdesigner. Precisamos ser reconhecidos pelos nossos feitos, pela quantidade de problemas que enfrentamos dia-a-dia e projeto-a-projeto. É só isso que peço.
Eu estou fazendo a minha parte, sempre estive. E faço mais, assim como muitos outros me disponho a tirar dúvidas de qualquer um. Novato ou veterano, se eu puder ajudar assim farei e sempre farei.
Acho que é mais ou menos isso que estamos tentando fazer aqui no fórum. Espero estar ajudando pois é pra isso que estou a disposição.Obrigado por lerem esse desabafo confuso de cunho auto-reflexivo.
Lembrem-se apenas de fazer o que fazem da melhor forma possível.PS: No forum discutimos sobre o assunto e então o Mestre Micox levantou um ponto interessante:
Citação: “Pode parecer exagerado, mas trabalhando oficialmente com web a 4 anos ainda me dói ver o dono de uma pequena ou média empresa se recusando a pagar dois mil reais (o que é pouco) por um loja virtual, ou qualquer outro sistema complexo, apenas porque o vizinho da tia de um dos empregados faz por duzentos e cinqüenta reais.”
Micox: A solução pra este problema é simples. É exatamente a mesma solução que já se usa há anos em outras áreas do conhecimento humano: ESCALA.
Explicando melhor: O que seria um site de 2.000 reais? Provavelmente seria um site bem feito, bem planejado, bem customizado às necessidades, bem adaptado ao visual da empresa do cara.
MAS se ele quer pagar pouco é porque não quer customização, planejamento, visual adaptado, certo?
Então venda pra ele um sistema padrão onde você só altera uns campinhos, umas corezinhas e pronto.
Se ele quiser customização que pague mais caro.Pronto: você ofereceu uma solução profissional, boa e barata pro cliente e pra você.
Uma solução que todo mundo (fora da área da informática) já conhece faz tempo.
Linha de montagem, henry ford hehehe -
Tags: mercado, profissão, webdesigner
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